Untitled

Janela na paisagem

Felicidade - Marcelo Jeneci (com letra) (by alumach1970)

cumcoisaqueussei:

“Meu vício agora…É o passar do tempoMeu vício agora…Movimento, é o vento, é voar…é voar”
Kid Abelha

cumcoisaqueussei:

“Meu vício agora…
É o passar do tempo
Meu vício agora…
Movimento, é o vento, é voar…é voar”

Kid Abelha

 
Bem no fundo, há coisas que são só minhas. E embora me assustem às vezes, é delas que mais gosto.

— Caio Fernando Abreu 

 

Bem no fundo, há coisas que são só minhas. E embora me assustem às vezes, é delas que mais gosto.

Caio Fernando Abreu 

Eu so queria estar aqui, agora!

Eu so queria estar aqui, agora!

Oração do Milho
(Cora Coralina)


“Sou a planta humilde dos quintais pequenos e das lavouras pobres.
 
Meu  gão, perdido por acaso, nasce e cresce na terra descuidada. Ponho  folhas e haste e se me ajudares Senhor, mesmo planta de acaso,  solitária, dou espigas e devolvo em muitos grãos, o grão perdido  inicial, salvo por milagre, que a terra fecundou.

Sou a planta primária da lavoura.

Não me pertence a hierarquia tradicional do trigo. E de mim, não se faz o pão alvo, universal.
O Justo não me consagrou Pão da Vida, nem lugar me foi dado nos altares.
Sou apénas o alimento forte e substancial dos que trabalham a terra, onde não vinga o trigo nobre.
Sou de origem obscura e de ascendência pobre. Alimento de rústicos e animais do jugo.
Fui o angú pesado e constante do escravo na exaustão do eito.
Sou a broa grosseira e modesta do pequeno sitiante. Sou a farinha econômica do proletário.
Sou a polenta do imigrante e a miga dos que começam a vida em terra estranha.
Sou apénas a fartura generosa e despreocupada dos paiois.
Sou o cocho abastecido donde rumina o gado
Sou o canto festivo dos galos na glória do dia que amanhece.
Sou o carcarejo alegre das poedeiras à volta dos seus ninhos.
Sou a pobreza vegetal, agradecida a Vós, Senhor, que me fizeste necessária e humilde
SOU O MILHO”.


Cora Coralina
Oração do Milho
(Cora Coralina)

“Sou a planta humilde dos quintais pequenos e das lavouras pobres.

 

Meu gão, perdido por acaso, nasce e cresce na terra descuidada. Ponho folhas e haste e se me ajudares Senhor, mesmo planta de acaso, solitária, dou espigas e devolvo em muitos grãos, o grão perdido inicial, salvo por milagre, que a terra fecundou.

Sou a planta primária da lavoura.
Não me pertence a hierarquia tradicional do trigo. E de mim, não se faz o pão alvo, universal.
O Justo não me consagrou Pão da Vida, nem lugar me foi dado nos altares.
Sou apénas o alimento forte e substancial dos que trabalham a terra, onde não vinga o trigo nobre.
Sou de origem obscura e de ascendência pobre. Alimento de rústicos e animais do jugo.
Fui o angú pesado e constante do escravo na exaustão do eito.
Sou a broa grosseira e modesta do pequeno sitiante. Sou a farinha econômica do proletário.
Sou a polenta do imigrante e a miga dos que começam a vida em terra estranha.
Sou apénas a fartura generosa e despreocupada dos paiois.
Sou o cocho abastecido donde rumina o gado
Sou o canto festivo dos galos na glória do dia que amanhece.
Sou o carcarejo alegre das poedeiras à volta dos seus ninhos.
Sou a pobreza vegetal, agradecida a Vós, Senhor, que me fizeste necessária e humilde
SOU O MILHO”.


Cora Coralina